
Com os olhos semi-cerrados na busca desesperada pelo café matinal, dou com este pacote de açúcar. Como não costumo pôr açúcar no café, o acto (ou ato, como preferirem) reflexo é atirar com o pacote para dentro da taça e deglutir lentamente o café enquanto vejo um mar de gente deambular na rua e um entra e sai quase frenético no café.
Mas hoje este saltou-me à vista. Peguei no telemóvel e fotografei-o.
Faz quase um ano. Faz quase um ano que fui deixado e que desabou o meu micro-mundo. A frase do pacote de açúcar levantou-me ainda mais incertezas. Um dia. Mas quando? O se. O se que eu odeio. O se que eu abomino. A indefinição que rege a minha vida há um ano.
Qualquer outro encontraria naquela frase uma esperança. Eu não consigo. O que vejo à minha volta tem a cor do céu que eu avisto do café: negro! Lisboa está negra.
Uma vez mais resigno-me. Deixo o café em direcção à empresa. Deixo também o pacote de açúcar. Talvez ele possa adoçar a vida de alguém...
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